quinta-feira, dezembro 09, 2010

Tico Santa Cruz: nada convencional

Tico Santa Cruz jamais pensou em ter uma carreira convencional. Terno e gravata, computador e escritório poderiam lhe causar alergias severas. Não à toa, ele cursou três faculdades, uma totalmente diferente da outra.

Com a disseminação da internet, pelos idos de 1997, o projeto de formar uma banda finalmente se concretizou. Afinal, foi através de chats que os integrantes se conheceram e objetivaram o que ainda era apenas um sonho. De lá para cá, Fábio, DJ Cléston, Renato, Tchello, Philippe e Tico somam 13 anos de 'estrada', entre batalhas vencidas, falhas e glórias e a conquista de um público fiel.

O vocalista do Detonautas conversou com o Portal CARAS e contou tudo sobre o processo de formação do grupo, e projetos futuros. Confira!

Então o Detonautas surgiu através da internet? Gostaria que você falasse um pouco sobre o processo de formação da banda.
Sim, o Detonautas surgiu de um encontro num bate-papo em meados de 1997. A internet ainda engatinhava no país e poucas pessoas tinham acesso. Naquele momento, estava terminando a escola, estudava à noite e passava as madrugadas conversando com os amigos. Tinha o sonho de ter uma banda, mas não conhecia ninguém próximo. Então, fiz a pergunta no chat se alguém sabia tocar algum instrumento, se tinha vontade de formar uma banda e, depois disso, encontrei alguns interessados. Combinamos de nos conhecer pessoalmente. Feito isso, entramos em um estúdio para ensaiar e acabamos aprendendo juntos a tocar. Cinco anos depois o Detonautas lançaria o primeiro disco por uma grande gravadora, após ser descoberto nacionalmente num festival de bandas alternativas em Natal, chamado MADA.

O que você fazia antes da banda? Pensava na ideia de ter uma banda, ou pensava em seguir uma carreira convencional, sentar na frente de um computador, de terno e gravata?Jamais pensei em ter uma carreira convencional. Fiz três faculdades. Ciências Sociais na UFRJ, queria me formar em Ciências Políticas e trabalhar como jornalista da área. Depois segui para o curso de Comunicação Social, mas não gostei e, por último, fui fazer Educação Física, cujo curso me levou a alguns estágios em que dei aulas de natação para crianças e adolescentes e fiz passagens por algumas academias de lutas e musculação. Antes disso, trabalhei numa sorveteria e fui operador de videokê. Fazia festas, alugando o equipamento e cantava quando ninguém queria cantar (risos).

Você toca algum instrumento?
Toco violão, mas não me considero um instrumentista. Aprendi a tocar sozinho e meu processo é totalmente intuitivo.

Di Ferrero, do NX Zero, uma vez disse que eles 'comeram muita poeira' antes de emplacar. Correram atrás, foram de porta em porta com o demo. Foi assim com o Detonautas também?O NX Zero é produto de uma geração que foi privilegiada pela popularização da internet. Todas as bandas passam por isso, a menos que sejam formações de empresários. Hoje em dia, muitos garotos gravam seus discos em casa e divulgam pelas redes sociais, o que facilita muito, mas não tira a legitimidade de seus trabalhos. Com milhões de acessos pelos canais disponíveis, acabam se tornando populares. É a nova forma de se alcançar o público e, por consequência, o sucesso. Não vejo mal nenhum nisso. Mas, no meu tempo, a internet não oferecia essa quantidade de ferramentas e nem tamanha interatividade. Nós passamos por todas as etapas necessárias para chegar onde chegamos conscientes de quem somos.

O Detonautas teve grandes perdas no decorrer desses anos. Você acha que isso enfraqueceu ou fortaleceu ainda mais a banda?Você pode ter perdas na vida e cair em depressão e desistir dos seus objetivos, ou pode usá-las como combustível para suas vitórias. Vencemos muito mais do que perdemos. Tudo que nos aconteceu, nos fortaleceu como homens e amigos.

Quais são os novos projetos?
Entramos em estúdio para uma pré-produção de um disco de inéditas agora em dezembro e devemos lançar o material em abril de 2011.

O que você gosta de escutar?
Escuto de tudo, menos axé, pagode e sertanejo. Apenas por uma questão de gosto.

Fonte: Portal Caras