domingo, janeiro 23, 2011

Entrevista: For Teens entrevista Tico (completa)

Entrevista interessante mas com poucas novidades :~

Veja entrevista exclusiva com Tico Santa Cruz do Detonautas!

Polêmica é com ele mesmo. Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, se apresentou em Teresina no último sábado, dia 15, com direito a casa lotada, em show que faz parte da turnê do seu projeto paralelo “Tico Santa Cruz e o Rebu”. Ele abre o jogo na edição de hoje do For Teens e fala de política, do disco novo do Detonautas, da sua passagem pelos Raimundos e da participação “polêmica” no reality show “A Fazenda”. Mas, nem só de polêmicas vive o cantor. Tico também fala sobre uma possível participação dos Detonautas em um dos maiores festivais de rock do Brasil, o Rock in Rio.

For Teens – Qual a proposta do “Tico Santa Cruz e o Rebu”?
Tico Santa Cruz – É viajar e conhecer todo país, levando o melhor do rock nacional para os amantes do rock. Fazemos releituras de artistas como Cazuza, Raul Seixas, Raimundos, Rappa, e outras figuras que ficaram marcadas no rock nacional. O show conta com a participação de músicos convidados das cidades onde nos apresentamos e do guitarrista Renato Rocha, que está comigo no Detonautas desde o início da banda.

FT – Como você analisa a evolução musical do Detonautas Roque Clube ao longo da carreira?
Tico - O resultado dos nossos discos é consequência do que a gente está vivendo. No começo estávamos em uma fase de viver experiências novas. Depois, você percebe o mundo fora do “matrix” e enxerga como funciona a política dos meios de comunicação como rádio e TV, e ficam mais claros os reais interesses comerciais que estão envolvidos na carreira de uma banda. Existem bandas que não se interessam em evoluir. Sempre tivemos essa preocupação de procurar o novo. Acrescentar elementos, mas sem perder a essência.

FT – O Detonautas vai tocar no Rock in Rio 4?
Tico – Estamos em fase de negociação com a produção do evento. Não há nada confirmado, mas esperamos em breve poder divulgar essa notícia. O Rock in Rio impulsionou o rock dos anos 80 e, talvez, tenha sido uma das primeiras pedras do pilar que foi erguido no rock nacional.

FT – Qual a expectativa da possibilidade de tocar em um dos maiores festivais do mundo?
Tico – É uma coisa de louco. Lembro-me que quando era moleque, minha mãe não deixou ir à primeira edição porque ainda era muito novo. Mas todas as outras edições eu estava lá. Em um show do Guns, eu disse a mim mesmo “um dia vou tocar nessa p*#”, e nem banda ainda tinha. E hoje estou prestes a realizar meu grande sonho. É demais!

FT – Querem abrir novamente para o Red Hot Chili Peppers?
Tico – No dia do Red Hot não tocaremos. Isso já é certo. Mas independente das bandas principais, a gente quer é tocar e, também, curtir o festival.


FT – Como foi a decisão de não colocar um guitarrista substituto após a morte do Rodrigo Netto?
Tico – Foi algo natural. Achamos por melhor ficarmos apenas com o Renato, e tentar explorar novas sonoridades com apenas um guitarrista. Sentimos muito a falta do Netto, não só musicalmente, mas de todas as formas. Ele era talentoso e um excelente compositor. No acústico, tivemos a necessidade de dois guitarristas novamente, e foi aí que o Philippe entrou, para suprir essa necessidade da ausência do Netto.

FT – Você acha que o Detonautas hoje está fora da mídia?
Tico – A função da mídia hoje está muito relativa. A mídia sucumbiu com a internet. Se você me perguntar se o Detonautas está fora da TV e da rádio, realmente isso é verdade. Mas dentro da web estamos sempre presentes nas redes sociais, blogs, sites, etc. Antigamente o artista tinha que bajular as empresas de comunicação para poder aparecer. Se eu vivesse nessa época eu teria sido morto, ou perderia totalmente excluído da mídia. Eu não fico bajulando ninguém, vou fazer apenas o que acredito. Não vou me curvar só porque é a MTV ou a casa do c*#. F*# bandeira que está ali! Se o Detonautas cabe no canal de TV deles, ótimo. Se não, bola para frente. Não será isso que vai diminuir nossa relação com nosso público. O Detonautas faz 8 shows por mês, e temos flexibilidade para fazer shows em festivais ou em casas apertadas. Graças a Deus nossos shows são lotados. Acho que o Detonautas é a banda famosa mais desconhecida do Brasil.

FT – Você tem uma boa relação com artistas da nova geração do rock nacional como NxZero e Restart?
Tico – Não tenho nenhuma relação com eles. Mas, o fato de não gostar da música, não impede que eu não goste da pessoa. Jamais vou julgar um artista porque não gosto do som dele. Isso é uma opinião musical.

FT - O visual deles te incomoda?
Tico – O visual sempre foi importante no rock. Mas hoje, esses moleques estão em busca do glamour, exclusivamente. Ser famoso e dar autógrafo, e tirar fotos com os fãs. E isso está errado. A função é do artista é outra. Temos que representar a voz de uma parcela da sociedade que não tem espaço para isso, questionando e participando, para vivermos em lugar melhor. Eu sou influenciado pelo Cazuza, Renato Russo, Raul Seixas, entre outros. Quem influencia esses garotos? O Mickey Mouse, Pato Donald e os Teletubbies?. Eu cresci na rua, e eles estão crescendo nos corredores de estúdios de TV.

FT – Você concorda com o Dinho Ouro Preto, ao dizer que NX Zero e Fresno é “Dostoievski” na frente de Cine e Restart?Tico – Essa comparação é uma atrocidade. São coisas completamente distintas. O jeito que o Restart canta, o mesmo que o NX Zero canta, e a mesma maneira que os pagodeiros do “pagode cheiroso” interpretam. Com letras de chifre e desilusões amorosas. Talvez o Dinho tenha mais conhecimento dessas bandas novas do que eu. Para mim não existe essa discrepância. É apenas uma continuação. Talvez o CPM22 tenha sido a banda que deu abertura na mídia para esse tipo de som.

FT – E sua rixa com Rick Bonadio, produtor da maioria dessas bandas?
Tico – Ele é até bem-sucedido. Mas os métodos que ele utiliza o que ele quer, eu não me submeteria. O cara é patrão, e eu acho que rock não tem patrão. O cara pode falar para mim o que eu devo falar ou que tenho de vestir.O artista necessita de autonomia, sem ela, ele vira uma figura fake.

FT – Como você analisa o atual rock nacional?
Tico – Em duas partes. Hoje tem o “Disneyrock” que são essas bandas coloridinhas e fofinha. E existe o outro lado que é feito por bandas que colocam seu trabalho na internet, que talvez não tenham o padrão que essas bandas coloridas, e por isso acabam ficando sem espaço. E a rádio só toca aquilo que vende. Se não estiver dentro dessa forma, você não é útil para o mercado.

FT – Quais bandas da nova geração você sugere ao nosso leitor?
Tico - Anacrônica (Curitiba), Stellabela (RJ), e a Cone Crew Diretoria (RJ), que inclusive participará do nosso novo álbum.

FT – Falando em disco novo, como anda a pré-produção?
Tico – Deve sair até abril, para dar um gás por causa do Rock in Rio, e será bem pesado. Estamos ainda no início pré-produção, mas já temos metade das músicas do disco compostas. Contaremos com outras participações além da Cone Crew, que ainda serão confirmadas.

FT – Como foi a experiência de assumir os vocais do Raimundos?
Tico – Foi engraçado. Sou fã do Raimundos e não consigo mensurar em palavras essa experiência. Pisar no palco junto com os caras que me influenciaram foi uma experiência única como música e ser humano.

FT – Como você recebeu as críticas dos fãs dos Raimundos, ao tentar substituir o Rodolfo na banda?
Tico - Não entrei para substituir o Rodolfo. Eu entrei para dar continuidade a um trabalho que já estava sendo feito após a saída dele. Qualquer pessoa que queira se colocar publicamente para fazer qualquer coisa tem que estar aberto para receber crítica. O meu trabalho era fazer a galera curtir o show. Se eles forem lá e fizerem uma crítica positiva. E se não, eu respeito. Para mim é indiferente.

FT – Você conhece alguma banda do Piauí? Quais dicas você daria a elas?
Tico – Honestamente não. Recebi um CD da banda Validuaté, mas até então conheço muito pouco. Hoje em dia existem muito mais chances para divulgar o trabalho do que antigamente, com a internet. Essas bandas têm que fazer música, e correr atrás. Não tem uma fórmula do sucesso.

FT – De onde vem seu interesse por questões políticas e sociais?
Tico – Nem eu sei. Nós do Detonautas, por exemplo, temos um posicionamento político totalmente apartidário. Eu não precisaria ter esse engajamento político, de ir atrás dos meus direito, mas eu não consigo. Um exemplo recente foi a apresentação do Ronaldinho Gaúcho. Mais de 20 mil pessoas em pleno horário de trabalho, mas todas estavam lá para saudá-lo. Se isso acontecesse para reivindicar nossos direitos, o Brasil não seria o mesmo.

FT – E como foi participar da Fazenda?
Tico – Eu entrei já sabendo que não iria para a final. Eles me fizeram um convite, e não aceitei de primeira, mas depois pensei melhor e aceitei a proposta. Queria enfrentar como um desafio para o autoconhecimento. Aprendi um monte de coisa, até cuidar dos animaizinhos que eu gostava. Infelizmente não deu tempo de tirar leite das vacas, mas foi legal. Tive atritos com outras pessoas lá dentro, mas considero uma experiência positiva. Não me arrependo, e acho que meus fãs de verdade estão comigo. Claro que para alguns foi um choque, mas depois eles entenderam meu verdadeiro objetivo ao participar da Fazenda.

FT – O que você faria se tivesse vencido o reality?
Tico – Sumiria do planeta terra (risos).

Crédito: Meio Norte - Escuta Essa - por Patricio Lima