quinta-feira, maio 26, 2011

Opinião: A arte e o artista - Tico Santa Cruz


O opinativo saiu na edição de hoje do jornal O Dia, e o texto foi divulgado no site do jornal ainda na madrugada.

Tico Santa Cruz: A arte e o artista

Rio - Qual o papel da arte? E qual o papel do artista? O Escola no Palco é uma extensão de um projeto que já acontece há quase cinco anos pelo Brasil. Quando o coletivo Voluntários da Pátria se formou, após alguns encontros no Corujão da Poesia, que reunia num bairro nobre do Rio de Janeiro artistas de diversos segmentos e progrediu gerando explosões de arte por tantos outros bairros, esses foram nossos primeiros questionamentos.

Dos subúrbios às áreas isoladas por condomínios, das comunidades carentes às escolas e universidades, ficou claro que existiam pessoas e espaços carentes, sedentos por uma forma de expressar o que sentiam e pensavam e que estivessem disponíveis para doar mais do que apenas a imagem, inserindo ao cenário cultural algo além do glamour e do desejo de explorar a fama instantânea e sem conteúdo.

Chamar a atenção dos alunos através da música e das performances com poesia e teatro para em seguida apresentar propostas de debates sobre cidadania, política, responsabilidade social e o papel de cada indivíduo nesse mecanismo que tanto responsabilizamos pelos atrasos da sociedade e pouco entendemos como nós colaboramos para sua manutenção.

Acreditamos que, abrindo este dialogo cedo, no ambiente escolar, e tornando-o acessível tanto aos alunos quanto a seus familiares de forma simples e divertida, talvez consigamos desmistificar o desinteresse coletivo por assuntos que são fundamentais na construção de uma sociedade saudável.

A arte sempre foi o caminho para as revoluções transformadoras, sem a necessidade de armas e violência, apenas com o desenvolvimento do senso critico e questionador que adormeceu em muitos adultos e sequer brotou em grande parte dos jovens.

Existem centenas de cabeças borbulhando criatividade com música, poesia, dança e outras manifestações artísticas relevantes que ficam subjugadas a um plano inferior por não possuírem o status que as mídias de massa promovem. Nós entendemos isso e apenas viabilizamos uma maneira para que estas escolas e estes alunos possam quebrar as correntes e se manifestar como protagonistas de um novo olhar.

Com um pouco de atitude, boa vontade e determinação, podemos colaborar com as mudanças que cobramos e assim, quem sabe, tirar o estado de conforto eterno dos que se deitaram em berço esplêndido e despertá-los para um mundo novo, cheio de oportunidades e transformações a serem colocadas em prática.

Tico Santa Cruz é músico