domingo, maio 29, 2011

Roadies: As Luzes dos Bastidores

Matéria do suplemento O Bairro, do jornal Globo, fala sobre o trabalho dos roadies e cita o Phil como um exemplo de que o trabalho do roadie pode ser reconhecido e valorizado pelos artistas.

As luzes dos bastidores - Natasha Mazzacaro

A rotina deles começa bem cedo, logo depois de descerem do avião. Após checar o equipamento, verificar a montagem e afinar os instrumentos, é hora da passagem de som. Durante o show, se uma corda arrebenta ou o plug do amplificador solta, a responsabilidade também é deles. Depois, ainda é preciso desmontar e guardar tudo. O trabalho dos roadies não é nada fácil e, às vezes, implica em 12 horas ininterruptas de pura tensão. Com a chegada de eventos internacionais, como a Copa do Mundo, o Rock in Rio e as Olimpíadas, a demanda por profissionais como estes, que trabalham nos bastidores, não para de crescer.

Segundo o diretor do Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação (Iatec), Luiz Helenio, a procura por cursos de áudio, produção, iluminação e vídeo teve um aumento de 35% em relação ao ano passado. O aquecimento do setor é tão grande que a Iatec deve abrir, em junho, uma nova unidade no Centro.

— A perspectiva é de que 20 mil profissionais de entretenimento sejam chamados só para a Copa do Mundo. A baixa do dólar e o investimento das gravadoras nos shows também estão provocando a vinda de várias estrelas internacionais — explica Helenio, que desenvolveu o curso “Projeto e planejamento de infraestrutura para shows e eventos”.

Para o roadie Igor Alves, que trabalha com artistas como Lulu Santos e Vanessa da Mata, a profissão só tende a crescer e é recheada de vantagens. Segundo ele, a geração de hoje tem muito mais acesso à informação, e os instrumentos estão mais baratos.

— Sempre sonhei trabalhar com música. Já viajei o Brasil inteiro e fiquei nos melhores hotéis. Só não gosto de ir para o aeroporto depois do show, sem dormir — diz Alves, que toca guitarra desde os 8 anos e trabalha como roadie há 20.

Para aqueles que trabalham nos bastidores, mas que sonham mesmo se tornar estrelas, há uma luz no fim do túnel: a proximidade com os artistas pode ser um grande passo. O guitarrista da banda Detonautas, Philippe Machado, é um exemplo disso.

No começo de 2006, ele foi chamado para ser roadie do guitarrista Rodrigo Netto. Depois do falecimento do músico, em junho do mesmo ano, Machado passou a substituí-lo nos palcos. Dois anos depois de muita convivência com os outros integrantes, ele finalmente foi convidado para fazer parte da banda.

— Antes, tinha que fazer o show acontecer, e agora eu faço o show. Mas roadie com certeza pega mais no pesado — diverte-se.

Fonte/Crédito: O Bairro - Globo