quinta-feira, janeiro 03, 2013

O Alienista

Esse é o título da mais recente música do DRC. Para quem gosta de literatura, deve ter se lembrado do clássico - e excelente  - livro de Machado de Assis com esse mesmo nome. Não seria uma mera coincidência, afinal a letra tem sim um relação com a história narrada no livro de Machado de Assis. Com isso, hoje o post é sobre a música do DRC e o livro de Machado de Assis.

O post é longo, mas vale a pena, para entender melhor a música. E já adianto que no final do post tem um link para baixar o livro ou comprar.

LIVRO:

Publicado em 1882, havia sido publicado em partes A Estação (Rio de Janeiro), de 15 de outubro de 1881 a 15 de março de 1882. É a base para o tipo de conto brasileiro que viria a seguir, assim como peça fundamental do Realismo. Para muitos, é considerado como o primeiro romance brasileiro do movimento realista. Para outros especialista a obra é considerada uma novela.

A história:

Através da obsessão científica do Dr. Simão Bacamarte e de suas consequências para a vida de Itaguaí, Machado de Assis faz neste livro a crítica da importação indiscriminada de teorias deterministas e positivistas em nosso país.


O Dr. Simão Bacamarte, médico da Corte, volta à terra natal, Itaguaí, para entregar-se de corpo e alma ao estudo da ciência. Com o tempo, resolve dedicar-se ao estudo da loucura, fundando o seu manicômio, a Casa Verde. Com persistência e abnegação, o médico vai trabalhando com os desequilibrados mentais que mandava recolher à Casa Verde, sempre buscando entender o que era loucura. Vem-lhe então à mente uma nova teoria que alarga o conceito de loucura, acabando com a antiga e aceita distinção entre normalidade e alienação mental. Com o tempo, as conclusões do alienista sobre a loucura alteram-se drasticamente.

Louco não é mais o desequilibrado, mas sim aquele que exibe um perfeito equilíbrio das funções mentais. Por causa disso, Simão Bacamarte liberta os antigos loucos e passa a prender os novos, como o padre Lopes, a esposa do boticário Crispim e o barbeiro Porfírio: primeiramente preso pela inconsistência de sua rebelião; depois, por ter percebido essa mesma inconsistência, e se recusado a liderar outra rebelião...

Com alguns meses de tratamento, todos foram soltos após revelarem algum desequilíbrio, provando que estavam curados, mas o nosso alienista não fica contente: ainda não chegara a uma conclusão em suas pesquisas. Começa a desconfiar que ela não havia curado ninguém, que os pacientes só haviam revelado um desequilíbrio que já possuíam anteriormente. Com isso, desloca seu estudo para si mesmo. Certifica-se de que é a única pessoa realmente equilibrada de toda a vila e se tranca na Casa Verde, declarando-se ao mesmo tempo médico e paciente. Morre depois de alguns meses.

O enredo deste conto, além de discutir ironicamente as fronteiras entre a razão e a loucura, também coloca a questão do poder. Todos os que o exercem em Itaguaí, incluindo-se dentre eles o revoltoso barbeiro Porfírio, fizeram uma composição com Simão Bacamarte, o que sugere que tanto a razão quanto a loucura são usadas pelo poder, dependendo de seu interesse. Por isso nada foi feito de efetivo contra a Casa Verde, tendo disso os prisioneiros liberados pelo próprio alienista. Assim, podemos concluir esta primeira leitura possível com um pessimismo machadiano: 'O mal não parece estar no 'racional' ou no 'normal' mas no humano...'

MÚSICA:



A letra:

E foi assim que foi parar numa casa para doentes mentais
E percebeu que era ali que deveria viver
Porque lá fora a vida ao lado dessa gente inteligente demais
Não lhe fazia sentido e não conseguia entender o porquê

E entre eles o normal era fingir afeição
E conseguir alguma coisa que lhes desse poder
Para esbanjar e provocar alguma satisfação
e venerar seus efeitos sentado em frente a TV
E descansar sobre os ossos daqueles reles mortais
Comemorar as conquistas com outros falsos amigos
Consagrar idiotas ditando regras e nomes
criando novos desejos pra consumir os antigos

Sonhos Reais
Medos reais
Somos Reais
Sonhos Reais e Fique esperto

Tome um gole desse pouco que sobrou
Há quem não duvide, eu duvidei

Eu me iludi, eu te amei então perdi minha paz
e desejei por muito tempo ser alguém que eu não sou
alimentando essa mentira com verdades iguais a tantas outras que contaram e pouca gente notou
E os corações se congelaram e ninguém percebeu
e de repente foi vendido o que não tinha preço
sem destino estávamos iguais, presos dentro de nós mesmos.

Sonhos Reais
Medos reais
Somos Reais
Sonhos Reais e
Fique esperto.


LINKS:


Com isso, fica o convite, que tal ler - ou reler - o livro e começar o seu ano de uma forma diferente? Esse pode ser o start de um novo prazer, e em breve temos livro novo do Tico nas livrarias. Eu - assim como o Tico - sou uma apaixonada por livros e incentivo minha filha a ter a mesma relação com os livros que eu tenho.