domingo, abril 20, 2014

Tico fala sobre o novo disco do Detonautas

EXCLUSIVO: Tico Santa Cruz fala sobre o novo disco do Detonautas


Em maio, o Detonautas lança seu primeiro disco de inéditas desde 2008, intitulado “Detonautas Roque Clube, A Saga Continua”. O álbum será duplo, com músicas que a banda lançou pela internet nos últimos seis anos, e outras dez compostas para o novo trabalho. “Esse álbum envolve dois universos muito diferentes. Um disco é levado mais pro pop rock, com batidas mais tranquilas, e mais balada, que é nossa tradição. Já o segundo é mais pesado, com uma pegada mais densa e letras mais fortes”, conta Tico, que define um CD como “mais claro” e outro “mais escuro”. “Vamos lidar com o estado de espírito das pessoas e passear pelos estilos do próprio rock”, completa. 

Para o vocalista, o novo disco é uma síntese de tudo o que o Detonautas já lançou até o momento, mas também há inovações. “Tem músicas muito diferentes, baseadas em questões sociais e políticas. Algumas rementem ao grunge, outras são mais dançantes e swingadas”, conta. A atual música de trabalho “Acredite no Seu Coração”, se originou de uma poesia que Tico escreveu. “Eu postei um vídeo caseiro dessa música com voz e violão e a resposta que eu tive foi muito boa. Percebi que valia a pena investir. Hoje temos duas versões, a original com bateria num quase hardcore melódico, e uma acústica com outra roupagem”, revela o cantor.

Criado em uma época em que o mercado era mais aberto para o rock, o Detonautas, ao longo de sua carreira, presenciou a mudança drástica no mainstream nacional. “O rock é um estilo que passa por muitos ciclos, com altas e baixas, principalmente com a mídia. Mas a internet dissemina nosso conteúdo”, relata Tico, que ainda revela sua visão do mercado atual. “A monocultura que existe hoje em dia prejudica a todos os estilos, não só o rock. Prejudica, inclusive, os próprios artistas que ficam superexpostos e acabam ficando enjoativos”, finaliza. Mas não são apenas as mudanças externas que a banda presenciou. Em dezembro do ano passado, o baixista da banda, Tchello, anunciou a sua saída do Detonautas. “Ele optou por seguir seu caminho porque tínhamos divergências de opinião e afinidade de projeto”, conta. Tico, contudo, diz que não ficaram mágoas. “Eu não acompanho, mas sei que ele tem o próprio projeto, e tá mais feliz. Acho que a gente tem que viver nossos sonhos. Torço pra ele conseguir prosperar, e ter o respaldo financeiro que precisa.” Quanto ao Detonaustas, o vocalista afirma que a banda segue normalmente, sem nenhum tipo de problema.

Para 2014, a meta do Detonautas é divulgar o novo trabalho e realizar a turnê de lançamento do disco. “A gente objetivou conseguir um disco de ouro. Por mais que as condições estejam avessas, nós vamos batalhar pra conseguir”. E, segundo Tico Santa Cruz, o segredo para transformar o novo álbum em sucesso é conseguir atingir todos os tipos de pessoas. “Estamos oferecendo um disco duplo no momento em que estão oferecendo materiais menos abrangentes. Não queremos segmentar nosso público, queremos popularizar o rock”, finaliza o músico.

#POLÊMICO

Há 17 anos à frente do Detonautas Roque Clube, Tico Santa Cruz se destaca por ser uma personalidade engajada nas questões políticas e sociais. Influente, o músico está prestes a conquistar 500 mil seguidores em sua página pessoal do Facebook e utiliza essa ferramenta para expor suas opiniões e interagir com seus fãs. “Sempre fui muito engajado, mas hoje tenho mais espaço e credibilidade. Amadureci muito, e hoje tenho uma confiança maior do público. Fico feliz em promover debates, acho saudável”, relata o vocalista em entrevista exclusiva ao Portal SUCESSO!.

No entanto, Tico ressalta que não é preciso levantar uma bandeira política. “Isso pode acabar te limitando artisticamente. Mas acho fundamental falar sobre o assunto”, reflete o músico, que ainda salienta a importância dos artistas populares também falarem sobre temas deste cunho. “É muito confortável não falar nada, já que não se comprometem. Ficam em cima do muro para não gerar nenhum tipo de stress. É só uma questão de introduzir o assunto para que as pessoas se interessem. Não é obrigação de ninguém, mas é claro que seria muito bom se fizessem”.

Com sua personalidade forte e opiniões contundentes, muito do que Tico Santa Cruz posta nas redes sociais acabam virando polêmica. Engana-se, contudo, quem pensa que o vocalista se sinta perseguido pela mídia. “Só se torna polêmica o que as pessoas relevam e dão valor. Se eu fosse um artista sem voz passaria despercebido”. Tico faz questão de postar apenas conteúdo próprio nas mídias sociais, sem intermédio de assessoria. “Eu falo tudo o que penso, e público sem nenhuma censura. Mas eu apanhei muito no caminho, então hoje tento ter um pouco mais de cuidado”, completa.

Recentemente, Tico se envolveu em mais uma de suas polêmicas ao elogiar a letra do “Lepo Lepo”, da banda Psirico, e disse ter ficado assustado com a proporção que o assunto tomou. “Embora não seja um estilo que eu ouça, acho que a música retrata de uma maneira diferente o cenário de hoje em dia. A análise da música não é ironia. Ironia sou eu fazer a análise”, explicou o músico, que acredita que o Brasil passa por uma fase de ostentação. “A classe mais baixa, que antes não tinha nada, hoje tem acesso ao consumo. Agora eles têm, e querem mostrar que tem”. Tico não se importa com a comoção gerada, e afirma que “às vezes podemos tirar mensagens de músicas e transformá-las em debate”.

Em janeiro, Tico Santa Cruz trocou farpas com o vocalista do NX Zero, Di Ferrero, por conta de sua mobilização para manter ativa a pista de skate de Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr morto em março de 2013. “Alguns artistas confundiram minha atitude de fã com artista. Fui criticado, julgado e condenado. Acreditaram que eu estava usando a situação para me promover”, relata o roqueiro. Tico e Chorão não eram próximos, mas o vocalista do Deutonautas revela que sempre foi fã do artista. “Lutei pelo ideal de uma pessoa que admiro. Acho importante para manter sua memória viva”. A batalha travada, no entanto, não foi o suficiente para impedir o fechamento da pista. “Não conseguimos por interesses privados. Mas já tínhamos conseguido toda a ajuda possível através de patrocínios, projetos sociais e auxílio da prefeitura”, explica.