sábado, agosto 18, 2012

Sobre o DVD do RIR - por Jamari França


Capital Inicial, Detonautas e Skank em DVDs do Rock In Rio
Por Jamari França

Capa Adriana Trigona, Lula Marques, Tchello DRCFotos Rogério Resende, Ricardo Fuji e Tchello DRC
Seis bandas nacionais do último Rock in Rio saem em DVD pela Sony e MZA. Recebi quatro, vou falar de três, pulo o Jota Quest, banda boa com vocalista ruim. Se receber as outras duas (Frejat, Titãs/Xutos e Pontapés) falo depois. Skank, Capital Inicial e Detonautas Roque Clube aproveitaram bem seus 50 minutos, um progresso em relação aos 40 minutos que as bandas nacionais tinham em festivais passados. Espera-se em 2013 pelo menos 60 minutos.

Os três show rolaram em clima de delírio e forte interação entre palco e platéia. O show do Skank foi o de maior empolgação porque Samuel Rosa tacou fogo na galera o tempo todo, até mudou letra de música para atiçar a massa, com imediata e delirante resposta: “Essa galera é muito louca e pula como ninguém” (Garota Nacional). A cena mais legal nº 1 de público está no Skank, com o girar das camisetas em Três Lados, o que levou Samuel a dar uma de diretor de televisão, pedindo que as câmeras se virassem para o público, jogassem mais luz e convocassem um helicóptero para filmar de cima. No que foi atendido. O show teve duas homenagens: É Proibido Fumar para Erasmo Carlos, com o povo berrando “maconha” a cada menção do título e Vamos Fugir, reggae com inspirada letra de Gilberto Gil em parceria com Liminha.


Os Detonautas para mim foram uma surpresa. Já estava gostando das músicas novas, me amarro no CD O Retorno de Saturno, mas há muito tempo não via um show deles. Estão com um considerável poder de fogo, afiados e entrosados. Uma boa banda é feita de bons músicos que dão suas contribuições individuais para criar algo maior do que cada um isoladamente (Paul Stanley, do Kiss, disse nesta segunda: “A banda é maior do que seus integrantes”). Os Detonautas chegaram lá, o som está amarrado, todos tocando bem e Tico Santa Cruz é um frontman de responsa.

Num show de apenas 50 minutos diante de 100 mil pessoas adrenalinadas, uma banda tem mais é que tocar só sucessos ou homenagens. Os Detonautas foram nessa e empolgaram também com Metamorfose Ambulante, com direito a fotos de Raul Seixas e o imprimatur da Sociedade Alternativa no telão. 

Um dos músicos mais politizados do Rock Brasil, Tico Santa Cruz se expressa de maneira veemente através das redes sociais, sempre com muita polêmica. A pesada Combate é produto dessa militância e sua execução é marcada por slogans projetados no telão central, entre eles “Todo governo deve temer o povo”, “Político ladrão, cadeia é a solução”, “Levante e lute”, “Corrupção é crime hediondo”. Nesta canção Tico usou a máscara do filme e da graphic novel V For Vendetta. Trecho da letra: “Não avançar é recuar, então preparem as armas porque nós vamos invadir o lugar. Sabedoria, inteligência, conhecimento é o pesadelo de quem quer nos enganar.” 

Skank e Capital (Sony) tiveram mixagens em estereo, 5.1 dolby e DTS, os Detonautas (MZA) estereo e Dolby. O conceito é padrão com a banda na frente e o povo atrás no surround. Geralmente acho isso sem imaginação, mas neste até que faz sentido devido à participação do público, que poderia ter sido melhor captado ou mixado porque há uma perda significativa de volume quando o vocalista se cala e o povo canta.

A mixagem dos Detonautas está bem feita, em algumas canções eu só aumentaria o vocal do Tico. Guitarras (Renato Rocha e Phil), baixo (Tchello), bateria (Fábio Brasil) e DJ Cleston (percussão e DJ) bem audíveis, só puxaria o baixo um pouco pra frente.

Os DVDs tem o show e galeria de fotos, com exceção dos Detonautas, que inclui também um documentário com depoimentos de amigos, entre eles o ator Eriberto Leão e os colegas George Israel, Bruno Gouveia e Fernando Magalhães, produtor dos primeiros discos da banda. E ainda um pequeno vídeo da passagem deles por Maués, na selva amazônica, uma semana depois do Rock In Rio.

Vida de músico de rock no Brasil é como diz Gilberto Gil no Rock do Segurança: “Um dia rico, um dia pobre, um dia no poder. Um dia chanceler, um dia sem comer.” Tudo pela felicidade de passar duas horas num palco e descolar um cascalho pro supermercado e aquelas continhas que todo mês batem na nossa porta.

P.S. O projeto dos DVDs é da MZA com a Artplan, direção geral de Marco Mazzola.

Fonte: Blog do Jama

Para ler a matéria completa clica no link, aqui postei somente o que dizia respeito ao DRC.